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PARTIDO NOVO NO SISTEMA POLÍTICO VELHO, por Herbert Schützer

Estamos vivendo o momento do nascimento de um novo partido político no já recheado sistema partidário brasileiro. Sabemos que um novo partido não significa nova política, uma vez que não é um partido o determinante num sistema multipartidário. Além disso, o sistema partidário brasileiro, segunda a literatura política, favorece o desenvolvimento do personalismo político e a competição intrapartidária e não entre partidos políticos.
Segundo o cientista político Maurice Duverger, o multipartidarismo é um modelo frágil para as democracias, por que carece de partidos autênticos, sendo a maioria partidos efêmeros e que não disputam o poder. Outra questão fundamental no multipartidarismo é ausência de ideologia no espectro político, pois não se organiza o sistema a partir das ideologias de direita e esquerda, há também a posição de centro, que não tem uma posição definida, transitando de uma ponta para outra do espectro, o que dificulta a identidade e a percepção do eleitorado.
Outra questão importante para se conhecer o sistema partidário brasileiro, é conhecer as origens dos partidos políticos. Existem duas fórmulas básicas para a formação dos partidos, uma fisiológica, onde se formam partidos por acordos entre políticos, e outra, cujo partido é formado no seio dos movimentos sociais. No caso brasileiro, é histórica a maneira fisiológica de se constituir partidos políticos, os políticos vão, como camaleões, mudando para se separar de determinadas questões políticas que incomodam e atrapalharam sua eleição.
Assim, novas propostas de ação política devem vir precedidas da defesa da mudança do sistema partidário, pois propor, por exemplo, que o governo não seja loteado durante um mandato governamental, requer que o sistema seja bipartidário, onde não se depende do outro partido para governar. No caso do multipartidarismo, as coligações constituem-se numa exigência imperativa para se alcançar o poder e, consequentemente, a partilha do poder. Sendo assim, as propostas não cabem para o sistema político vigente num país multicultural como o nosso.
Como então construir uma credibilidade nos partidos políticos brasileiros? Difícil resposta a ser formulada, não apenas porque os discursos políticos carecem de conteúdos, mas principalmente, porque o eleitor possui pouca instrução sobre o funcionamento do sistema político nacional. E isso o coloca refém de “novas” propostas políticas, geralmente oportunistas que escondem as verdadeiras intenções políticas eleitoreiras.
Mas vamos esperar o desenrolar desse ano eleitoral para observarmos como o novo partido se acomoda no velho sistema partidário brasileiro. E aí sim termos bases reflexivas mais consistentes para analisarmos o novo partido.

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