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Fuga Pirotécnica, por Janderson Lacerda

O retrato falado foi divulgado em PowerPoint para todo o Brasil. De modo simultâneo, uma força tarefa foi criada para caçar o condenado, vulgo sapo barbudo. Homens da força nacional foram convocados; as fronteiras foram fechadas. Alguns juristas apontavam o risco da República ser invadida por forças “russo-bolivarianas”. O clima de insegurança jurídica tomava conta do país. Devido à insubordinação e rebeldia, milhares de postos de trabalho foram fechados. A fome e a violência tomaram os quatro cantos da nação; e a ameaça de guerra civil era um espectro que assombrava o governo.


O país seguia vigiado. Até que, com uma manobra inesperada, o condenado é visto no rio Guaíba, pilotando um pedalinho hover 4x4, modelo Cisne. Homens de toga foram chamados, patos selvagens acionados; um intenso tiroteio foi iniciado.

As balas, estranhamente, ricocheteavam nas águas quase cristalinas do Guaíba. Enquanto o sapo barbudo guiava o pedalinho em alta velocidade, desviando dos projéteis e de bombas de efeito moral. Ao mesmo tempo, homens de mala e cunha fugiam do país; saques em cozinhas escolares eram praticados e os mosquitos, Aedes Aegypti e Haemagogus eram detidos pela polícia federal. O caos, definitivamente, fora instaurado!

A caçada parecia não ter fim. Quem poderá detê-lo? A essa altura, o condenado já havia atravessado as águas do Guaíba, e desembocava na Lagoa dos Patos - para fúria generalizada dos Homens de Toga.

O Santo é evocado para abrir as águas da Lagoa, mas logo é acometido por uma febre amarela súbita e o milagre é interrompido.

O condenado, então, com determinação, ultrapassa a Lagoa dos Patos e ganha o mar aberto. Aplausos misturam-se aos sons de panelas sendo sovadas com ira. O som levado pelo vento quase não é mais perceptivo aos ouvidos do sapo barbudo, que navega pelas águas do atlântico, conquistando, finalmente, a liberdade.

Jornal GGN

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