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FORMAÇÃO DO CAPITAL POLÍTICO EM DIADEMA

Uma pequena e reducionista abordagem do futuro político do prefeito de Diadema, para provocar reflexões.

O cenário atual descortina algumas possibilidades para o futuro dos políticos, que sempre estão almejando postos eletivos, como é o caso do atual prefeito de Diadema. Não por acaso, ele está cumprindo seu último mandato e, logicamente, olha para o futuro, que cargo postular? Como alcançar o objetivo?

É aí que o contexto deve ser analisado para buscar o melhor caminho e manter seu grupo unido e os objetivos sendo perseguido. Não por acaso, observa-se uma mudança na postura do mandatário municipal. Desde o início do seu segundo mandato ele vem buscando abraçar pleitos populares, que podem somar ao capital político, conceito de Pierre Bourdieu, já existente e garantir um projeto político mais longo, solidificando-o como um político em ascensão.

O que encaminha o político diademense a continuar a sua jovem carreira é o capital político familiar, responsável pela sua inserção no cenário político da cidade, cuja presença tem história. Contudo, o capital político herdado da família, quase não foi suficiente para garantir a reeleição, vindo de um mandato marcado pelo caráter burocrático da sua administração. Mesmo se deparando com um cenário político favorável, com concorrentes portadores de pequeno capital político, sua vitória foi sofrida.

Diante desse quadro, nada abonador para o futuro político, assiste-se a uma nova orientação política para o segundo mandato. Que enfrenta ainda mais dificuldades em função do quadro econômico nacional recessivo e político local, com uma oposição mais obstinada. Nesse sentido, o projeto político ganhou o viés populista, que busca apoio no eleitor, abraçando causas que afetam a maior parte da população do município.

Dessa forma, os objetivos passam a depender também da virtù e da fortuna, como Maquiavel afirmou no estudo sobre o príncipe, ou seja, é preciso estar atento para as oportunidades políticas, não qualquer oportunidade, pois isso caracteriza apenasexpertise, mas as oportunidades que construam uma forte relação entre o político e o eleitor, o reconhecimento da sua liderança, enfim: legitimidade.

É justamente essa ação firme que pode interferir na ambição política do futuro candidato e atual prefeito, o cuidado com a ansiedade dos correligionários, o controle sobre eles é fundamental para se fazer uso da virtù. Afirmar a liderança, construindo o carisma necessário ao controle e direcionamento de uma carreira ascendente, e alcançar o reconhecimento social de uma atuação popular, passar o desafio do prefeito para seu futuro político.

Herbert Schutzer – Geopolítico, consultor sócio-político, docente de ciência política na Faculdade Diadema, de história contemporânea na Estácio-SP e de filosofia da Faculdade Álvares de Azevedo.

 

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