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ENQUANTO ISSO…NO REINO DO ABSURDO

De fato, vivemos tempo obscuros, em que a realidade é elaborada pela subversão dos valores, crenças e regras de sociabilidade. Um momento que precisa ser analisado e compreendido à luz de conceitos que permitam decifrar as motivações dos fatos e discursos colocados em evidência pela mídia nacional, bem como os próprios interesses dela.

Assistimos a eventos apresentados como legítimos para a salvação do país por atores que, no atual momento estão sob suspeita de improbidade, mas que avocam a legitimidade da salvação nacional. Em paralelo, tomam, ou procuram criar medidas de salvação pessoal, sobrepondo a questão do público e privado.

Vejamos, um enorme grupo de políticos denunciados em esquemas de corrupção, tentam modificar direitos sociais, degradando-os, como a reforma do ensino médio, da previdência e das relações de trabalho. Isso sem nenhum tipo de debate público, fundado na premissa do discurso catastrófico da salvação nacional. Protegidos por uma mídia cooptada, não se sabe como, apresentam justificativas absurdas, como culpar a aposentadoria como responsável pela crise econômica do país, como se o velho e seus parcos rendimentos pudessem gerar uma crise profunda num mundo globalizado, onde as interações no nível planetário envolvem diferentes dimensões das atividades político econômicas, como por exemplo a crise da indústria. É uma inocência pensar que a indústria enfrenta uma crise profunda por conta das aposentadorias, como querem nos fazer crer, quando o mercado globalizado não apresenta competição entre unidades da mesma empresa distribuídas pelo mundo, como é o caso da nossa indústria, a maioria estrangeiras.

O caráter surreal da situação não para por aí, assiste-se a pronunciamentos de representantes do povo defendendo o fim da justiça do trabalho, onde as relações são desiguais sempre pautadas pelas imposições do poder econômico. Dessa forma, expor o lado mais frágil dessa relação a um domínio servil, ou até escravo, beira a um total descompromisso com aqueles que o elegeram. Além do mais, já existem denúncias de políticos que praticam esse tipo de relação de trabalho, e que estão sendo protegidos pela justiça. Sem dúvida é o retrocesso as condições iniciais do sistema econômico.

Para não restar a menor dúvida do momento bizarro que passamos, assistimos a juízes defendendo a legalização de práticas consideradas, até hoje, como criminosas, como o caso do caixa 2, que envolvem inúmeras autoridades nacionais. O que mais admira e choca a todos, é essa defesa partir de um juiz da mais alta corte do país, o que caracteriza a politização do poder judiciário, que deveria ser imparcial e zelar pelo cumprimento da lei e manutenção da ética da vida social e política. Mais um absurdo que mostra não existir separação de poderes no país, estrutura básica do chamado estado de direito democrático.

Os vendilhões do templo estão produzindo cada vez mais situações que atentam contra as crenças e valores sociais e o pior, são quase todos denunciados por improbidade e, portanto, não tem legitimidade para promover qualquer mudança na ordem política, social e econômica. Mas no reino do absurdo tudo é possível e podemos esperar mais atentados contra a sociedade. O problema é, o que será do futuro do país diante desse contexto. Que país será herdado pelas futuras gerações? A história irá destacar esse período como a idade das trevas da democracia brasileira, sem dúvida.

 

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