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A ÚLTIMA FRONTEIRA DO CAPITALISMO NEOLIBERAL – É AQUI

Há dez anos escrevi um artigo sobre a África, onde discorri sobre a ação do capital na porção subsaariana do continente. Os impedimentos de natureza cultural, que apesar do longo período de colonialismo europeu, se constituíam em obstáculos a plena incorporação do continente no capitalismo mundial.

Hoje, o que espanta é a resistência africana ao capital e suas perversas formas de reprodução, mesmo independentes as nações africanas são a resistência silenciosa numa sequência de tragédias. Isso mostra para nós a força da cultura e das tradições dos povos que habitam o continente. A cultura de fato é a resistência de qualquer nação. Nesse quesito, sentimos falta da sua força e acabamos como reféns dos aventureiros internacionais e seus prepostos, que aqui agem no sentido de buscar criar as melhores condições para a extração do lucro.

A nós caberia resistir, no entanto, calados pagamos a conta da geração do lucro para alguns de forma coletiva. Isso pode ser visto no caso da elevação dos preços por parte da Petrobras, quando o governo agiu como prepostos, contrariando a própria Constituição, não impondo uma solução social da questão dos combustíveis, ao contrário, garantiu que o capital estrangeiro não sofresse nenhum prejuízo e dessa maneira transferiu o prejuízo para a sociedade. Resumindo, privatizou o lucro e socializou o prejuízo. Isso não é estranho, pois o sistema é assim.



O que nos espanta é a indolência social contra esse tipo de prática que claramente afeta a população em várias esferas da vida coletiva, como o aumento da inflação, a redução do poder aquisitivo, desemprego, etc.. Essa falta de reação é de natureza cultural, a acomodação diante de práticas nocivas para a sociedade está diretamente ligada ao nosso passado, ligado a opressão, a obediência incondicional exigida pelos senhores do Brasil.

A cultura não nos fez aguerridos defensores dos nossos direitos, ao contrário, esperamos que eles sejam protegidos por nossos líderes, que de fato não são nossos, mas sim prepostos, que não conseguimos perceber. Não olhamos para cima e quando o fazemos, só vemos como eles vivem e não o que eles fazem.

A credulidade que desenvolvemos pode ser devido a nossa infância social, como uma vez colocou sobre essa questão o historicista do Direito alemão Savigny, reconhecendo a falta de maturidade cultural da sociedade alemã para elaborar uma jurisprudência racional. Nós aqui estamos na mesma situação, não estamos prontos politicamente e logicamente culturalmente para alcançarmos objetivos que sejam de fato para todos e não para alguns, como hoje fazemos ao aceitarmos todos os mecanismos do capital contra o interesse social.

Herbert Schützer – Geopolítico, consultor sócio-político, docente de ciência política na FAD – Faculdade de Diadema.

 

Jornal Diadema News

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