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A POLÍTICA, A RELIGIÃO E A NAÇÃO

O embricamento entre política e religião remonta ao início da história do ocidente, quando a instituição teocracia era o sistema político dominante, fundada em inúmeras crenças diferentes e caracterizada pelo politeísmo preponderante.

O surgimento do pensamento racional na Grécia Antiga, afastou a crença religiosa da política, transformando-a numa atividade laica. É claro que isso não ocorria de maneira efetiva, pois essa separação é difícil na prática, uma vez que as crenças mítico-religiosas fazem parte da cultura vivida pelas sociedades e a religião acabava por influenciar de alguma maneira a política.

O surgimento da religião católica, no final do Império Romano e o desmantelamento dele permitiu a ascensão da organização religiosa ao campo político. Durante quase mil anos a religião participou de maneira efetiva da vida política impondo normas. O surgimento do racionalismo moderno pretendeu sepultar a participação e influência religiosa na política. Vários pensadores iluministas argumentaram a necessidade do afastamento da religião da política. A atividade liberal difundida pela emergência do capitalismo se somou ao coro do laicismo, pois seu fundamento, o lucro, era contestado pelo conceito religioso da usura.

No Brasil, a separação entre Igreja e Estado foi consumado após a Proclamação da República, pondo fim a séculos de influência do catolicismo desde o período colonial. Isso na realidade ocorreu apenas no campo formal, pois a presença religiosa no campo político sempre foi ativa na história republicana. A garantia constitucional da liberdade religiosa, criou um mercado de fiéis a ser explorado e as reivindicações de cada uma das religiões acabaram por permear a política local e nacional e a Bancada Evangélica é a expressão dessa permeabilidade.

Contudo, as disputas grupais, características dos agrupamentos humanos impedem uma influência mais efetiva, pois cada uma delas quer prevalecer sobre a outra. Nesse período eleitoral que vivemos, ressurge a necessidade de se conhecer melhor as relações entre política e religião, para evitar as armadilhas eleitoreiras e alcançarmos uma efetiva representação para a sociedade como nação, onde os interesses coletivos devem preponderar sobre o dos grupos.

Herbert Schützer – Geopolítico, consultor sócio-político, docente de ciência política na FAD – Faculdade de Diadema.

 

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