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A COISA PÚBLICA, por Herbert Schützer

Se me permitem, vou recorrer a Teoria Política para inserir o leitor no tema que vamos abordar diante do panorama atual do país que se materializa nas suas unidades políticas, Estado e Município.
Para começar, vivemos em uma república, essa situação implica em um modelo de política que é bom esclarecer. República tem alguns significados, ou seja, não existe uma definição única, podendo ser abordada num sentido amplo ou num sentido estrito. Partindo da primeira forma, a república implica na existência de uma comunidade política, originalmente fundamentada na forma grega antiga de organização política, que usava o termo politeia. Que representa a organização do governo de vida coletiva de um povo. O termo República vem do latim res publica, que quer dizer a coisa pública, a coisa comum a todos (LAFER, 1989).
Segundo Lafer  (1989), o grande pensador e político da Roma Antiga, Marco Túlio Cícero (106–43 a.C), foi que melhor definiu o que significa o termo público. Para o pensador romano, a república diz respeito ao bem do povo, que representa um grupo numeroso de pessoas associadas pelo mesmo direito e voltadas para o bem comum.
É justamente a partir dessa definição que percebemos a conduta do homem público no Brasil. Será que atual no sentido do bem comum, do público? Pergunta que todos reconhecemos como fácil de responder diante das práticas e da ordem do discurso dos políticos brasileiros. Percebe-se claramente que falam e tratam de cenários diferentes, até excludentes.
Basta recordar as falas e ações governamentais e da classe política, para perceber que a res publica não segue seu conceito. Por exemplo: quando uma determinada autoridade se refere ao quadro econômico nacional, “afirma que o país está no rumo certo e a economia está se recuperando”, no entanto, na vida cotidiana dos munícipes, o que se percebe? Um custo de vida maior, com os combustíveis em alta, não se sabe por quê. O número de pessoas desempregadas continua aumentando, a violência real simbólica também aumenta. Como fica a coisa pública diante desse descompasso de abordagens?
No caso da febre amarela, observou-se que sua incidência começou a mais de um ano e não houve nenhuma ação preventiva, ao contrário, esperaram que a doença alcançasse o nível de surto para tomar medidas. Quando a res publica requeria uma ação preventiva, com planejamento de ação.
E por aí vai, a res publica ainda é um sonho para o brasileiro. Que para ser alcançado exigirá uma ação coletiva em prol da formação cidadã. Formação essa que as diferenças de cenários, do discurso e o real, possam ser percebidas e cobradas pelos cidadãos em todas as instâncias políticas.
Nesse sentido, o clamor por uma educação qualitativa deve ganhar o espaço público e transformar a república de sentido amplo, numa república real.

Jornal Diadema News

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