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Guerra Fria: Rússia testa com sucesso seu míssil intercontinental

26/08/2018 09:11

A União Soviética anunciou em um dia como este, no ano de 1957, que havia realizado um teste, com sucesso, de um míssil balístico intercontinental que era capaz de atingir "qualquer local do mundo". O anúncio causou enorme preocupação nos Estados Unidos e deu início a um debate nacional sobre a "lacuna de mísseis" entre EUA e Rússia.

Por anos após a Segunda Guerra Mundial, tanto EUA quando URSS tentaram aperfeiçoar a tecnologia de mísseis de longa distância, capazes de carregar ogivas nucleares. Com base no sucesso da Alemanha nazista no desenvolvimento dos foguetes V-1 e V-2, que atacaram a Grã-Bretanha durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial, cientistas dos EUA e Rússia travaram uma disputa para melhorar o alcance e a precisão destes mísseis.

Em julho de 1957, os EUA pareciam ter vencido esta corrida quando o Altas, um míssil que poderia atingir a velocidade de 32.180 km/h e percorrer uma distância de 8.046 quilômetros, estava pronto para testes. O teste, contudo, foi um desastre. O míssil subiu, aproximadamente, 1.524 metros no ar, caiu e mergulhou na terra.

Apenas um mês depois, os soviéticos alegaram seu sucesso em empreitada semelhante, anunciando que o seu míssil intercontinental tinha sido testado e havia "percorrido uma grande distância em um curto período de tempo" e "tinha atingido o alvo planejado". Não foram divulgados os detalhes do experimento pela Rússia, e alguns analistas nos Estados Unidos duvidaram que o teste do míssil soviético havia obtido realmente o sucesso alegado. Contudo, as informações de que os soviéticos teriam em mãos essa "arma definitiva" associada aos testes bem-sucedidos das bombas atômica e de hidrogênio pelos russos aumentaram ainda mais as preocupações dos norte-americanos. Se o soviéticos realmente possuíam um míssil intercontinental eficiente, nenhum local nos EUA estaria completamente a salvo de um possível ataque nuclear.

Menos de dois meses depois, a URSS enviou o satélite Sputnik no espaço. As preocupações rapidamente se transformaram em medo nos EUA, já que isso mostrava aparentemente que os russos estavam vencendo as corridas espacial e armamentista. O governo norte-americano acelerou tanto o programa de mísseis quanto o espacial.

O sucesso dos soviéticos - e o fracasso norte-americano - acabou como uma questão central na campanha presidencial de 1960. O candidato democrata John F. Kennedy acusou a administração do governo de Eisenhower de ter permitido que uma perigosa "lacuna de mísseis" fosse criada entre EUA e URSS. Após a sua vitória em 1960, Kennedy priorizou no seu governo o desenvolvimento espacial e o de mísseis.

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